St-Exupéry Vida

Os textos referentes à biografia e a obra de ST EX foram traduzidos e adaptados do conteúdo do site oficial sobre o autor: www.antoinedesaintexupery.com por Mônica Cristina Corrêa, com revisão de Cláudio Dutra.
As fotos pertencem igualmente ao acervo da Succession Saint Exupéry.

Família Saint-Exupéry

A família de Saint-Exupéry é originária da região de Limousin, provavelmente da pequena cidade de Saint-Exupéry, perto de Ussel, cujo nome é tirado de Exuperius, bispo de Toulouse. Conhecido por ter expulsado os Vândalos em 407, o bispo erigiu uma primeira capela sobre o túmulo de São Saturnino, substituída mais tarde pela Basílica de São Sernin.

No fim do século XVIII, Georges de Saint-Exupéry (1757-1825), oficial da infantaria, participou das guerras de independência americana. Escreveu a respeito uma “Relação” e, depois de seu casamento, emigrou e serviu no exército do Condado durante a Revolução.

Sob a Restauração, seu filho Jean-Baptiste (1791-1843) vendeu as terras da família de Saint-Amant, em Quercy, para instalar-se em Bordeaux, recebendo uma herança e fazendo um rico casamento com os comerciantes da cidade. Comprou o castelo Malescot em Margaux.

A opulência não durou: seu filho mais velho, Fernand, conde de Saint-Exupéry (1833-1918) teve uma juventude agitada e dispendiosa. A epidemia de filoxera acabou por arruiná-lo e ele vendeu todos os bens. Como subprefeito do Segundo Império, Intendente militar durante a guerra de 1870-1871, recusou-se a servir a República e se instalou no Mans, onde dirigiu uma empresa de seguros. Em 1862, desposou Alice Blouquier de Trélan, com quem teve sete filhos. O mais velho, Jean, é o pai de Antoine de Saint-Exupéry.

Jean de Saint-Exupéry (1863-1904)

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Jean de Saint-Exupéry é primeiro oficial de Dragões, depois, por necessidade, entra na companhia de seguros do pai, que o envia a Lyon. Aos 33 anos, depois de ter cometido extravagâncias, torna-se um sedutor distinto e fidalgo, um belo nome que tem pouca fortuna e o gosto pelos prazeres, enfim, um verdadeiro “cavalheiro francês”. Em casa de uma parenta distante, a condessa de Tricaud, ele encontrou Marie de Fonscolombe, recém-saída do Sacré-Coeur de Lyon, onde fora educada, subtraída de sua Provença natal. Ele a desposou em 8 de junho de 1896 e o casal se instalou em Lyon, a dois passos da Praça Bellecour. Dessa união, nasceram cinco filhos. De 1900, Antoine é o mais velho dos meninos. Em 14 de março de 1904, os jovens pais foram encontrar seus filhos, confiados aos cuidados dos avós Fonscolombe em La Mole, quando Jean morre subitamente, aos 41 anos, de um derrame cerebral, na estação La Foux.

Em 1909, quando Antoine e François devem entrar no colégio, Fernand de Saint-Exupéry, que queria ver crescer seus netos, solicitou à nora, Marie de Saint-Exupéry, que se instalasse no Mans com Antoine, François e Gabrielle. As duas mais velhas, Simone e Marie-Madeleine, ficaram em Lyon na casa da tia-avó, a senhora Tricaud. Segundo o desejo do avô, os meninos são matriculados no colégio jesuíta Sainte-Croix. O conde de Saint-Exupéry gostava de frequentar a alta sociedade do Mans e Marie se entendia muito bem com os tios e tias de seus filhos. Estes, por sua vez, achavam que suas primas e primos eram excelentes parceiros de brincadeira. Mas o avô, Fernand, tinha uma concepção de educação mais rigorosa do que aquela com que estavam habituados pela mãe. Nas férias, as cinco crianças se reuniam no castelo de Saint-Maurice.

Marie Boyer de Fonscolombe (1875-1972)

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Uma vez casada com Jean de Saint-Exupéry, Marie permaneceu em Lyon e levou uma vida como as mulheres jovens de sua época e de seu meio. Em sete anos de casamento, cinco filhos se sucederam: Marie-Madeleine (1897), Simone (1898), Antoine (1900), François (1902), Gabrielle (1903). Durante o verão de 1904, ficou subitamente viúva e nunca mais se casou. Nos primeiros tempos de viuvez, residiu em La Mole, junto a seus pais, depois se instalou em Lyon, na casa de sua tia. senhora Tricaud. Mas não se fixou em nenhum lugar e multiplicou suas estadas na casa de seus pais, irmãos e primos. Nessa vida nômade um pouco difícil, acompanhava atentamente a educação de seus filhos.

Durante a Primeira Guerra, Marie criou uma enfermaria na estação de Ambérieu, sob a égide da Cruz Vermelha. Com a morte da tia Tricaud, em 1920, ela herdou o castelo de Saint-Maurice, onde passou a viver. Ainda que sua renda fosse muito modesta, dava conta das necessidades de seus filhos, mas teve de vender as terras anexas ao castelo. Durante seu tempo livre, pintava e, em 1933, foi aceita no Salão de outono dos artistas franceses. Tinha talento; tanto instituições quanto particulares compravam suas pinturas. Com a morte da filha Marie-Madeleine em 1927, colocou-se à disposição da Cruz Vermelha, que lhe confiou uma missão numa cidadezinha da região de Somme, depois na Normandia. De retorno a Saint-Maurice em 1928, assistia os pobres em Lyon, cuidando dos cancerosos com as Damas do Calvário.  Em 1932, vendeu a propriedade de Saint-Maurice, que se tornara grande demais para gerir. Mudou-se para Cannes antes de comprar uma casa em Cabris, que chamou de Les Fioretti, em homenagem a seu filho François, onde passará o resto da vida. Quando a França entrou em guerra, Marie foi admitida como enfermeira voluntária no hospital de Vallauris. Quando dos bombardeios do litoral, acolheu em sua casa a filha Gabrielle e sua família. Em agosto de 1944, ao saber do desaparecimento de Antoine, refugiou-se em orações. Escreveu poemas em que falava frequentemente de seu filho e ocupou-se da publicação de seus escritos póstumos. Deu depoimentos a todos os que (numerosos, aliás) se interessavam por ele. No começo dos anos 1960, perdeu progressivamente a visão, até  falecer, em 1972.

“Marie-Madeleine, dita Biche ou Mima (1897-1927)

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As crianças Saint-Exupéry crescem juntas, e uma ligação indissolúvel se cria com as brincadeiras e ao longo dos anos. Menos agitada que seus irmãos e irmãs, Marie-Madeleine se diverte com quebra-cabeças, álbuns de cartões postais, faz hortas e alimenta passarinhos. Ele toma gosto em pintar e tocar instrumentos. Tímida e fechada, prefere se retirar ao seu quarto quando há visitas.

De constituição frágil, Marie-Madeleine tem várias internações no sanatório, antes de morrer de tuberculose aos 30 anos.



“Simone, dita Monot (1898-1978)”

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Segundo as recriminações de sua irmã mais velha, Simone não levava nada a sério. Sempre alegre, chorava, no entanto, quando as dálias congelavam ou na morte do gatinho. Escreveu e compôs diários ilustrados. É ela que apelidou o irmão Antoine de “Rei Sol” por seus cabelos loiros. Depois dos estudos secundários, Simone fez a escola de Chartes e trabalhou como paleógrafa na França e na Indochina, onde Antoine foi visitá-la em 1934. Ela é a autora de um volume de memórias intitulado “Cinco crianças num parque” e de um grande número de textos, poemas, prosas, peças de teatro, bem como de um Diário (de 1909 a 1954).



“Antoine, dito O Rei Sol ou Tonio (1900-1944)”

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Turbulento e desordenado, Antoine reinava como mestre em sua confraria. Ele inventava continuamente brincadeiras, exigindo que os outros se submetessem. Muito apegado à mãe, esperava à noite para ser beijado antes de dormir, e sofria quando ela não cumpria essa obrigação. Encenava pequenas peças, nas quais fazia que atuassem seu irmão, suas irmãs e outras crianças, mostrando-se ele também um ator surpreendente. Escrevia versos, que recitava, e ficava bravo se não o escutassem com atenção. Demonstrava impressionante curiosidade por motores, trens e engenhocas voadoras. Compartilhava com o irmão e as irmãs o amor pelos animais e recusava-se a caçar, apesar de seu talento para atirar nas barracas de tiro ao alvo de feiras.



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“François, dito o padre tranquilo (1902-1917)”

Companheiro de brincadeira de Antoine, eles brigavam frequentemente e se reconciliavam em seguida. Falavam de motores, aeroplanos e estradas de ferro. Muito talentoso em matemática e música, François estuda violoncelo. Foi, com Antoine, aluno no colégio Sainte-Croix no Mans, depois interno em Saint-Jean, em Friburgo. Foi ali que caiu doente. Acometido de reumatismo no coração, morreu com a idade de 15 anos. Redigiu um testamento, legando ao irmão sua bicicleta e uma carabina.

Gabrielle, dita Didi (1903-1986)

Gabrielle é a irmã caçula de Antoine de Saint-Exupéry. Teimosa, Didi pode chorar por horas e jamais desistir de uma ideia. Antoine se afeiçoa especialmente a ela, que era a única a poder entrar em seu quarto e fazer um pouco de arrumação. Ele a acompanhava de bicicleta em seus passeios, sobretudo ao aeródromo de Ambérieu, onde Antoine teve seu batismo do ar.

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A morte do irmãozinho François, em 1917, do qual era mais próxima pela idade e no quem vivia grudada, a afetou profundamente.

Em 1923, Gabrielle se casou com Pierre Giraud d’Agay. O casal  instalou-se no castelo de Agay, situado na comuna de Saint-Raphaël (Var). Em 1925, no nascimento de seu filho François, convidam Antoine a batizá-lo. Eles tiveram três outros filhos, Marie-Madeleine (1927), Mireille (1929) e Jean (1933).

Quando Antoine de Saint-Exupéry desapareceu em 31 de julho de 1944, sem deixar filhos, ele havia designado sua família como legatária dos direitos de sua obra e de seu nome. Entre seu irmão François (1902-1917) e suas três irmãs, Marie-Madeleine (1896-1927), Simone (1897-1979) e Gabrielle (1903-1986), apenas a caçula deixou descendência. Hoje, os quatro sobrinhos de Antoine de Saint-Exupéry são os herdeiros e os detentores de direitos de sua obra.