Aéropostale no Brasil Rio de Janeiro

» A Aéropostale no Rio de Janeiro

Quando Pierre-Georges enviou a primeira missão de Toulouse para fazer o reconhecimento no Brasil e avaliar a possibilidade de prosseguir com seu intento de ligar por avião a França e a América do sul, o Rio de Janeiro era ainda a capital do Brasil. Naturalmente, tudo partiria dali; e era, de fato, no Rio de Janeiro que a “missão francesa de aviação” ensinara os militares brasileiros a pilotar, no Campo dos Afonsos, de onde dois aviões Bréguet rumaram para o sul com a equipe de Latécoère, em 15 de janeiro de 1925.

Livros Missão Francesa

Livros Missão Francesa

Naquele campo, os pilotos foram recebidos com todas as honras e partiram primeiramente para São Paulo, depois Florianópolis, Pelotas, Porto Alegre, Montevidéu e finalmente Buenos Aires. Foi no Campo dos Afonsos que se recebeu, pois, a “Missão Militar Francesa de Aviação”, no ano de 1918, depois absorvida por uma missão maior, a Missão Militar Francesa de Instrução, que perdurou até 1939. Em 10 de outubro de 1918, foram contratados os oficiais franceses Capitão Etienne Magnin, Tentente Louis Etienne Lafay e Edouard Vardier e outros seis técnicos, ao mesmo tempo que foram adquiridos trinta aviões. Em julho de 1919, foi inaugurada a “Escola de Aviação Campo dos Afonsos, sob a direção técnica da missão francesa. Graças a essa Escola, surgiria a aviação militar brasileira, independente do Exército.

Escola Militar Francesa nos Afonsos

Escola Militar Francesa nos Afonsos

Assim, o cenário que os tripulantes e embaixadores da Latécoère encontraram no Rio de Janeiro é o de seus compatriotas na escola dos Afonsos. O Tenente Lafay acompanhou a visita dos pilotos da Latécoère.

Foi, pois, no Campo dos Afonsos que a Latécoère-Aéropostale fez suas primeiras instalações. No entanto, a constante neblina no local levou os franceses da empresa de correio aéreo a buscar uma alternativa. Esta foi a de Jacarepaguá, hoje local do Aeroporto Roberto Marinho. Na época, não havia estrada que atravessasse a lagoinha e conta a história que os franceses usaram uma espécie de hidro-deslizador para atravessar.

O jornal o Estado de S.Paulo de 25 de janeiro de 1924, noticiou a partida do grupo Latécoère do Rio de Janeiro, onde, antes, a equipe ofereceu um almoço à Imprensa no Jóquei Clube. Assim diz o artigo:

Depois, cerca de três horas, os diretores da empresa partiram em automóveis para o Campo dos Afonsos, a fim de assistirem à partida dos aviões, a qual se deu precisamente às quatro horas e meia, em presença de grande número de pessoas de destaque, entre as quais todos os membros da Missão Militar Francesa e altas autoridades nacionais”.