Aéropostale no Brasil Natal

» Patrimônio Imaterial – Testemunhos

Em Natal, a aviação teve um papel muito importante que favoreceu de maneira direta o desenvolvimento da cidade. Pelo fato de ter havido ali uma base americana durante a Segunda Guerra Mundial, fala-se hoje muito mais dessa época do que daquela da Aéropostale. No entanto, é o nome de Paul Vachet que se ouve quando se evocam as origens da aviação. Os franceses foram os pioneiros e Jean Mermoz, e suas aventuras miraculosas, é muito conhecido na cidade. Atualmente, uma escola e uma rua levam o nome do aviador francês. Além disso, outras ruas foram batizadas com os nomes dos pioneiros franceses. Não foi esquecido o criador da Linha, Pierre-Georges Latécoère. Pode-se perceber isso, no aeroporto de Natal, numa homenagem aos que atravessaram o Atlântico sul em hidravião.

Testemunhos

Um dos maiores folcloristas brasileiros, Câmara Cascudo, deixou um caderno de notas sobre a aviação em sua terra, Natal. Vivas impressões que se perderam em grande parte. Um opúsculo recupera o que restou. Baixe o pdf com depoimento.

Livro de Pery Lamartine

Livro de Pery Lamartine

Em Natal, como noutros lugares, é difícil encontrar pessoas que viveram a aventura da Aéropostale. Havia o senhor Péri Lamartine, que faleceu em maio de 2014, neto do governador Juvenal Lamartine, grande incentivador da aviação no Rio Grande do Norte. Péri Lamartine deixou todavia livros sobre o tema de predileção de seu avô. Descendentes importantes dos que viveram a aventura moram em Natal: primeiramente, o senhor Patrick de Bure, neto de Marcel Bouilloux-Lafont, que implantou as escalas no Brasil; e o senhor Edmundo Alves de Melo, cujo pai, João Alves de Melo, nascido em 1896, era jornalista à época da Aéropostale. Apaixonado por aviação, João Alves de Melo se dedicou a registrar os fatos e o cotidiano da aviação em Natal, servindo-se de sua máquina fotográfica e de seus laboratórios pessoais para revelar. Além disso, ele teve o cuidado de conservar artigos de jornais e excertos de livros sobre a história da aviação em sua região. O trabalho, que durou praticamente toda a sua vida, ele transformou num livro.

Patrick de Bure

Patrick de Bure

O jornalista faleceu há 50 anos e, para celebrar a memória do pai, seu filho, Edmundo Alves de Melo, decidiu publicar seu livro tal como este o deixara, “Asas sobre natal”. Trata-se, com efeito, de um magnífico volume no qual se encontram fotos da época. Podem-se ler artigos e excertos dos jornais através dos quais se conhecem as impressões locais sobre a grande aventura postal. Esse trabalho impressionante faz surgir de maneira errônea os nomes de Saint-Exupéry e de Henri Guillaumet na legenda de uma fotografia, o que parece ser simples mal-entendido, mas que suscitou polêmica em Natal, como alhures: saber se Saint-Exupéry passou ou não por lá. Apesar dessa confusão, não há nada que possa ser desacreditado nas reportagens deixadas por João Alves de Melo, sobretudo porque, entre suas páginas, encontra-se um trecho do Jornal O Poti; trata-se de uma declaração de Jean-Gérard Fleury em 1974, descrevendo o piloto Saint-Exupéry (certamente quando dos 30 anos de seu desaparecimento) e dizendo que este conhecia bem Natal e o Rio de Janeiro… M. Alves de Melo o teria provavelmente cruzado; no entanto, ele afirma que Jean Mermoz e outros pilotos foram muito mais assíduos nessa escala. Jean Dabry era vivo e veio celebrar os 50 anos de travessia do Atlântico sul em Natal, evento em que reencontrou João Alves de Melo. Destacou-se, no folder distribuído, o nome de Marcel Bouilloux-Lafont, que instalou as escalas brasileiras da Aéropostale.

Edmundo Alves de Melo

Edmundo Alves de Melo