Florianópolis, também conhecida como “Ilha da Magia”, é a capital do Estado de Santa Catarina. Conta com uma parte insular (Ilha de Santa Catarina) e uma continental, incorporada à cidade em 1927, com a construção da famosa ponte pênsil Hercílio Luz. Entre os monumentos históricos da cidade, destacam-se também a casa de Vitor Meireles, os fortes e a catedral metropolitana.

Apesar das sensíveis modificações introduzidas pelas construções modernas, a paisagem urbana ainda guarda muito do aspecto arquitetônico colonial, de herança açoriana. Eleita capital turística do Mercosul, a cidade se destaca por suas belezas naturais e por suas 100 praias, atraindo intenso movimento turístico durante todo o verão.

Musée Air France

Com cerca de 421.000 habitantes, Florianópolis possui população bastante diversa, embora a maioria seja de ascendência europeia, destacando-se os açorianos, que colonizaram a região em meados do século XVIII. Também são importantes numericamente os descendentes de alemães e italianos que começaram a chegar à cidade no início do século passado, vindos das diversas colônias do interior de Santa Catarina.

Cultura

Os imigrantes açorianos são mais do que um sotaque local; esses portugueses, a partir do século XVIII, colonizaram Florianópolis e arredores, perpetuando sua tradição rica e variada que, através do tempo, influenciou o cenário cultural da região.

Na culinária, há a riqueza dos pratos feitos à base de peixes, moluscos e crustáceos. A arquitetura mostra traços açorianos nos casarios coloniais e nas igrejas seculares. Os segredos do artesanato e dos oleiros também foram transmitidos através das gerações. A literatura se enriqueceu com as quadrinhas, o pão-por-Deus, os provérbios, as cantigas e lendas. Além do jeito de falar do Arquipélago dos Açores e da Ilha, também algumas expressões típicas se mantêm até hoje.

As Festas do Divino e Nossa Senhora dos Navegantes, a procissão do Senhor Jesus dos Passos, os Ternos dos Reis e a crença em bruxas e no boitatá (fogo fátuo) aparecem como valores expressivos da religiosidade. Nas danças e folguedos, os exemplos mais vivos dessa tradição estão presentes no pau de fita e no boi de mamão.

Florianópolis nas primeiras décadas do século XX

No início do século XX, Florianópolis ainda era uma cidade pequena e pacata. A insularidade a fez ligada ao mar e sua identidade era a de uma cidade portuária. O ritmo calmo foi se alterando, sobretudo após a construção da estrada que a liga ao Sudeste do país, substituindo o transporte basicamente marítimo. Muitas obras, principalmente de infraestrutura urbana, foram realizadas; os primeiros trinta anos do século XX foram, marcados por diversos momentos de modernização, traduzidos na adoção de vários serviços urbanos. O desejo de conforto se traduziu na implantação dos serviços de telefone, água encanada, luz elétrica, esgoto sanitário, linhas de bonde e novas opções de moradia e de lazer.

Até 1930, Florianópolis era um centro portuário e comercial. Com a decadência sofrida pela produção da Ilha e posterior fechamento do porto, a cidade adquire, na década de 1940, uma dupla função: a de cidade de serviços e político-administrativa.

Museé Air France

A construção da Ponte Hercílio Luz, imagem símbolo da cidade, foi um dos esforços para reafirmar a posição da cidade como capital do Estado de Santa Catarina. No entanto, a ilha ainda se encontrava isolada econômica e culturalmente.  Essa situação começou a mudar quando a cidade passou a ser tomada como pólo turístico, progressista e desenvolvimentista. Políticos, artistas e intelectuais abraçaram a causa e se mobilizaram em prol do progresso que faria de Florianópolis moderna e com ares de cidade grande.

A praia do Campeche e Saint-Exupéry

Mapa da Praia do CampecheA partir de 1925, a companhia de correio aéreo francês, Aéropostale, instalou no Campeche, na região sul de Florianópolis, uma escala com infraestrutura de hangar, casa de pilotos e posto de rádio, além do aeródromo, que era utilizado para o reabastecimento dos voos procedentes de Natal, que distribuiriam o correio até Buenos Aires..

Somente no Brasil, a Aéropostale possuía 11 escalas, todas igualmente equipadas. A companhia, desde seus primeiros tempos, empregou pilotos que se tornaram verdadeiros heróis, tais como Jean Mermoz, Henri Guillaumet, Paul Vachet, Marcel Reine etc. Entre eles estava Antoine de Saint-Euxpéry, dito “poeta da aviação”, cujas obras narram o cotidiano e os feitos dos pilotos da Aéropostale e culminam como conto mais lido e traduzido do mundo, que ele próprio ilustrou: O Pequeno Príncipe (1943). A lembrança deste piloto-escritor, bem como as aventuras de seus companheiros, ainda marca o bairro do Campeche, onde se conserva a casa de pilotos, conhecida no local por “popote” e o antigo terreno de pouso, de 324.000 m2, pertencente à Força Aérea Brasileira. Além disso, a principal avenida do bairro homenageia Saint-Exupéry: “Avenida do Pequeno Príncipe”.

Fontes

Florianopolis-Atual