A Aéropostale

Epopeia do século XX

A empresa francesa de correio aéreo, Aéropostale, como ficou conhecida, nasceu de uma empreitada sem paralelo no século XX. Em 1918, o empresário Pierre-George Latécoère resolve transformar uma fábrica de vagões em Montaudran, a 7 km de Toulouse, na sede de uma empresa de aviação.

O momento é o fim da Primeira Guerra Mundial, quando muitos jovens pilotos militares e mecânicos ficaram desempregados e buscavam trabalho. A aviação, até então, era de domínio militar. E os aparelhos, ainda rudimentares. O próprio Latécoère, ao desejar fazer a entrega do correio da França (Toulouse) às suas colônias africanas por via aérea, reconhece tratar-se de algo arriscado. A frase que o tornou célebre  é
“Refiz todos os cálculos. Nossa ideia é irrealizável, só nos resta uma coisa a fazer: realizá-la”.

E, de fato, surgiu a Compagnie Générale d’Entreprises Aéronautiques, numa época em que ainda não havia
a comunicação por rádio e era preciso atravessar o deserto do Saara. À custa de vidas humanas, mas também de atos inomináveis de bravura, a empreitada se impôs.

Em 1927, o empresário francês radicado no Brasil, Marcel Bouilloux-Lafont, compra 94% das ações de Latécoère e rebatiza a linha como Aéropostale, estendendo-a até a América do sul. Somente no Brasil, Lafont instalará 11 escalas, todas equipadas com hangar, casa de pilotos, transmissão sem fio e aeródromos.  As escalas eram etapas imprescindíveis, pois eram tempos em que um voo do Rio de Janeiro a Buenos Aires levava de 13 a 15 horas.

A companhia, desde seus primeiros tempos, empregou pilotos que se tornaram verdadeiros heróis por seus feitos indizíveis naqueles aparelhos precários. Entre eles estavam os ases Jean Mermoz, Henri Guillaumet, Paul Vachet, Marcel Reine etc. Um nome, entre todos, tornaria a história daquela aventura imortal: Antoine de Saint-Euxpéry, dito “poeta da aviação”, cujas obras “poeta da aviação”, cujas obras narram o cotidiano e os
feitos dos pilotos da Aéropostale e culminam com o conto mais lido e traduzido do mundo, que ele próprio ilustrou: O Pequeno Príncipe (1943).

Aos personagens e cenários dessa aventura – por sua preservação – e à memória daqueles que os ajudaram a ter êxito é dedicada esta página, cujo objetivo é avivar a história de uma façanha que, embora efêmera (1918-1933), deixou atrás de si marcas indeléveis sobre os valores humanos, sem suspeitar que abria  as portas da globalização.